terça-feira, 30 de junho de 2009

Botas Aladas

A tragédia incomoda
Algo de familiar está lá
Os desavisados correm para ver
Susto

Viver ou virar pedra
A harpe é erguida ao céu
Espelho de bronze é escudo
Medusa decapitada

Olhar proibido
Justiça
Sangue e pedra

Vingança
Oráculo
Morte

Perseu

Já faz tempo que o homem inventa
Inventa histórias

Histórias para não esquecer
Para dizer, perguntar
Assim, sem querer

Como se faz para viver?


terça-feira, 9 de junho de 2009

Vida

Na vida a gente vê de tudo

Quanto mais se vive, mais se vê

Vida de casa, de rua, de praia

Vida sem graça diante da tevê


Urubu sobrevoa a cabeça vazia

Gira preguiçoso pairando no ar

É coisa de quem espera

Espera a vida acabar


Na vida a gente sente de tudo

De tudo o que a vida dá

Frio, fome, sono

Paixão, só quando a hora chegar


Querubins, fadas e piratas

É sonho de meninos

É conversa de meninas

Crescendo, falando, criando


Vida vazia das fantasias

Vida sem graça e pura apatia

Beco escuro sem saída


Vida viva

Aventuras no quintal

Pau vira espada, árvore vira nau.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Inércia

Pêndulo
Sou
Não sou
Inércia

Sou
Se Desejo
Se sou
Quem sou?

A idade que vem
Escondida nos dias que passam
Se esqueço
Não sou

Roda de ciranda
Canta música conhecida
Roda cutia, de noite de dia...
E, enfim, a casa caiu

Se sou pedra
Não sou eu quem estou parada
Foi o mundo que perdeu o ritmo
Alegria alienada

Estranho é o espelho trincado
Se sou
Não sei
Pedaços...

Fragmentação
Pedacinhos conhecidos
Decifrados
Esquecidos

Confusão de sentimentos
Duas músicas ao mesmo tempo
O samba da boa vida
A marcha da despedida...

Quem me dera
Até em Pasárgada
Ser amigo do Rei

Se sou
Deixo de ser
Quem sou...

Quem?

terça-feira, 2 de junho de 2009

Curitiba II


Três graus

O sol aquece
Do jeito que pode

A sombra mantém o gelo
No tempo da manhã

O vento espalha arrepios
Nos corpos encasacados

O vinho acalma a alma
Enebria o corpo

O beijo renova o calor
Que não vem do sol

Debaixo do cobertor