terça-feira, 25 de agosto de 2009

O contrário de si

Se eu me chamasse Raimundo
Vindo lá do sertão

Um poço sem água no fundo
Teria calos nas mãos

A terra rachada gritando
A brasa cortando a noite

Se eu me chamasse Raimundo...

O contrário do sertão
Aqui, na terra da chuva que mata

Também há calos nas mãos
Mas, eu não me chamo Raimundo

Falta-me a inspiração

Terra gigante
Meu país

Toma todo um continente
Faz fronteira com o mar

Mas, o povo é quem sente
Tem muito pra melhorar

Seu Raimundo, meu vizinho
Nascido em Pernambuco

Assim como meu bisavô
Veio de lá um menino

Nunca perdeu o sotaque
E quando lembra de lá

Da fome que já passou
É água salgada na vista

Nos olhos de sonho e dor.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Desisto

A vida passa
Estranha palavra
Escassa

Existo
Rabisco
Persisto

Lavra a terra
Morde a fera
Espera

Escuto
Silêncio
Luto

A caneta
A letra
Poeta

Estranho
O pranto
Lamento

Faz de conta
Apronta
Nega

No fundo
Escuro
Um segredo

Da vida
Maldita
Merda

De novo
Assustado
Morto

Renova
Inventa
A garra

Desisto.

sábado, 8 de agosto de 2009

Não se decide

Não falarei das alegrias
Aqui não erguerei as conquistas
Boas novas não cabem nestas rimas

Da parte boa da vida muito já é sabido
Do bom e afinado riso
Satisfação no bom sentido

A boa e aguardada surpresa
O tempo onde vale a pena
A pena de toda letra

Arlequim diz ao que veio
Entra vivo pela janela
O começo e o fim, sem meio

Aqui também não cabe a tristeza
Essa de todo dia
Preocupação, dor ou apatia

Dinheiro, amor, desapego
Falta constante
Instante

Tristeza do Pierrot
Vem pela porta da frente
É o fim de todo amor

Alegria ou tristeza
Nada disso interessa
Basta! Já chega!

Dessa vida, qual a graça?
Uns fazem pela vida
Outros vivem para nada

O que dizer aqui?
História sem pé nem cabeça
Alegria de uns, tristeza de outros.

Dizer que não vai dizer
É negação de antemão
Acaba falando do dito

Ilusão.