domingo, 27 de setembro de 2009

Rotina

Vou batendo no compasso
Tenho sempre um compromisso
Repetição sem acaso
Não sei do desconhecido

O tijolo não tem graça
Construção de ironia
O cimento é só uma pasta
Vida escura, desvalia

Não há nada nesse poço
É beleza esquecida
O céu azul fica fosco
O sol brilhante alucina

Vou assim, sendo forçado
no amor, um compromisso
Casamento amarrado
Dinheiro, conforto, filhos

Mas, não passa de exagero
Quem é vivo tem magia
Um tijolo é barro vivo
Se transforma em moradia

Quem ama sabe bem disso
Não escapa da rotina
Desafio para o homem
Reinventar todo dia.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Fissura

Letras mancando no branco
Eu, que de pouca alegria
Busco a história vazia
O que da vida é só pó

Silêncio que faz o tempo
Deste que resta do dia
Na sombra da noite fria
Vazia, mesmo tão só

Na mesa o papel esqueço
Traço de minha agonia
De longe a morte vigia
Enquanto desato o nó

Manchas da tinta escura
Do nada, primeiro o risco
Ferida que busca a cura

Depois a palavra pura
Assim, com medo insisto
Vou gotejando loucura.