segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O Suco Vermelho

Manhã de sol forte, porém, um pouco menos que dos dias anteriores. São dias quentes aqui em Curitiba desde que voltamos de viagem no feriado de Finados. Hoje fraquejei pela manhã. Acordei tarde, quase oito e meia. Nos dias anteriores estava levantando em torno das sete horas, ou até antes. O calor me empurra com mais força para fora da cama. Nos primeiros movimentos dos cachorros já levantava, até para poupá-la de acordar naquela hora. Os cachorros por volta das sete horas já estão esperando por comida. E reclamam bastante no que resta de silêncio da manhã.

Ela levantou mais cedo e do quarto escutava a centrífuga barulhenta, imaginei um suco com cenoura e laranja e que ela faria um agrado levando um pouco de suco para mim ainda na cama. Fiquei ali, entre um sonho e a vida.

Então, escuto a porta se abrindo, viro na direção dela e vejo ela entrando e indo ao banheiro com uma toalha. Não teve suco na cama desta vez. Levantei e fui para a cozinha, vi a centrífuga suja com uma pasta vermelha. Não foi de cenoura, foi de beterraba. O filtro do café na pia foi a certeza de que o café estava feito. Fiz uma xícara e fui para fora acender um cigarro. Um cão foi ao meu lado, pediu carinho. Fumei e bebi o café, olhando a roseira seca que quase morreu no feriado por conta da falta de água. O suco não estava na cozinha, pensei, ela fez um copo de suco apenas e bebeu. Voltei para dentro da casa e na mesa da sala estava o pote de manteiga com uma faca em cima, farelos de pão e uma jarra transpirando o suco gelado pela metade. O suco vermelho. Peguei o copo usado por ela que também estava ali, e bebi um pouco. Voltei para o quarto, entrei e pensei que ainda estava no banho. Abri a porta do banheiro e não estava lá. Quando voltei os olhos para o quarto novamente, na eminência de chamá-la, ali estava ela, nua, colocando a calcinha, vindo talvez do meu ponto cego, que não a vi quando entrei.

Comentei, ué, onde você estava? Ela respondeu com um sorriso doce - quem sabe achando graça de meu jeito meio perdido quando ainda despertando - levantando as sobrancelhas e apontando com o queixo a direção do canto do quarto ao lado do cabide. Ela, ainda de calcinha, pega dois vestidos e pergunta, esse ou esse? Sugiro o primeiro e ela comenta, meus seios estão pesados, enquanto coloca o vestido. Está linda, pensei indo para o banho.