quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Feliz ano novo de novo.

É incrível mas, todo final de ano eu faço promessas, aquelas que todos fazem.
Alimentar-se melhor, fazer exercícios, um esporte, dar mais amor, amar mais, permitir ser amado, ter mais desejos, assumir os desejos, organizar as contas, ganhar mais dinheiro, estudar, aprender outro idioma, inglês ou alemão, um mestrado, um novo emprego, cortar o cabelo sistematicamente, fazer a barba também, beber menos, parar de fumar, estar mais presente na família, reunir mais os amigos, ficar menos bravo, resolver os problemas pendentes, arrumar o escritório, o consultório, viajar mais, escrever mais, escrever melhor, ler mais, muito mais. Resumindo tudo isso numa unica promessa, seria a de ser homem melhor, mais próximo do que considero melhor, ideal.
E não sei quanto ao leitor aí do outro lado, mas nessa época tenho uma sensação otimista e verdadeira nessas promessas. Eu faço planos, esquemas, vejo os preços dos cursos que quero fazer e digo, em voz baixa, num segredo comigo que agora sim, vai dar certo!
E quando me afasto dessa empolgação do mundo global e ocidental penso que eu poderia começar a fazer tudo isso agora, nesse momento. Ou então, dia quinze de fevereiro seria a data para tais compromissos. Por que fazer isso tudo agora, justamente nos poucos dias de férias que tenho? Por que preciso que o ano acabe e comece outro para fazer o que quero? O que tem essa noite, qual é a mágica?
Bom, aí o peso da realidade bate em minha porta até então trancada para ela. Se mudar fosse fácil como imaginar... Já tantos anos mudando a agenda e tendo a certeza de um ano realmente novo. Mas, vamos em frente. Até porque o tempo é como uma bússola e preciso dela para ter a certeza de que hoje não é mais ontem e ainda não é também amanhã.
Um feliz e realmente ano novo a todos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sexta-feira


Sexta-feira. Acabo de arrumar o relógio do consultório que estava com o dia atrasado. Ainda era ontem por aqui. Calor de novo com trinta e dois graus. Ontem foi o maior calor do ano e hoje promete mais, assim como a chuva que caiu também não foi pouca, levando junto a luz, as árvores e carros. Temporal que anda em mim ultimamente. Momentos de tormentas, confusões e desencontros. Afetos caindo em mim como raios no horizonte.
Levantei mais tarde hoje de novo. Isso é algo que me incomoda. Tenho muita preguiça pela manhã e odeio a idéia de levantar depois dela. Ela, aliás, está cada vez mais bonita. Grávida e bela, ainda com pouca ou quase nada de barriga. Razão do meu alento e de minhas confusões. Aquela barriga que agora cresce e vai dando a ela o jeito de mãe que está por vir. E, lógico, em mim vai dando os sinais precisos de um pai que se anuncia.
Tenho um trabalho, mas não é aquele dos tempos do meu pai. Não sou o provedor de uma família, como já foi a regra e a metáfora viril. Tenho aqui meu consultório, meu trabalho que vai bem até, mas não é capaz, sozinho de sustentar uma família. Coisas da vida. Sou, como diria Freud, um jovem psicanalista. E como todo jovem ainda numa efervescência de energia que se espalha, explode para todo lado sem focalizar um lugar, um ponto no mundo. E espero, assim, com a vinda desta pequena criatura, que eu possa extrair de mim a força que esta palavra impera, um pai. Digamos que meu filho nem nasceu e já há uma troca implícita e além de qualquer escolha. Sim, eu ganho um lugar de pai e ele ganha a vida. Ou então, melhor, ambos ganhamos a vida.
'Agora sim, tudo vai ser diferente'. É nisso que acredito e sempre acreditei com todas as minhas forças. Todas a mudanças em minha vida vieram acompanhadas por esta frase. Mas, é claro, nunca é bem assim. Um ideal que vai aos poucos esvaindo de força, desmoronando com a pontual maré. Mas, mesmo assim, nunca deixei de construir meus castelos perto demais do mar. Um segredo que aqui compartilho, porque agora sim, tudo vai ser diferente!