segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Ilusão (10)

Quanto tempo leva
Me disseram
Caminha

Quanto custa
Me disseram
Pague

Quando é
Não disseram
... ... ... ... ...

Levei mais de ano
Parei no caminho
Sonhei com carinho
Foi bem freudiano

Vai, Acredita na vida
Deixa de lado a preguiça
Larga o padre, deixa a missa
É hora da despedida

Lá, todo paralizado
Vi elefante voando
Ali pensei vou andando
Melhor ser acelerado

Bem ali onde parei
Vi que o mundo sempre gira
Pra não sair dessa pira
Tive certeza: Sarei!

domingo, 25 de setembro de 2011

Seis cordas (9)

Comprei um violão
Bonito
Elétrico
Cordas de aço

Quando menino fiz aula
Com Ingo Rech
Não sei ao certo se assim se escreve
Aprendi com ele a tocar "chalana"
Sabe aquela? "Lá vai a chalana, bem longe se vai,
... o remanso do rio Paraguai"
E balam... balam... balam... batendo nas cordas...

Mas, de tanto tempo que passou
Não sei mais tocar
Nem a chalana
Que já se foi

No auge da minha adolescência
Quando os Titãs ferviam nos palcos
Quando era lançado infinita Highway
Quando decorava Faroeste Caboclo

Era nesse tempo que comprava as revistinhas nas bancas
E tocava em casa no quarto fechado
E ouvia as músicas em fitas que mandava gravar

As meninas usavam lycra
E polainas
E tinham verdadeiros orgasmos (sem saber) quando viam
os cabeludos com faixas nas cabeças e calças apertadas cantando "dança....canta.... sem parar... não se reprima, não se reprima..."

É, nessa época eu tinha um violão
Sabia alguma coisa
E escrevia cartas
Muitas cartas...
Anos oitenta

Hoje, não sei mais tocar
Mas, só de lembrar disso
Da dor nos dedos pressionados contra as cordas
Das músicas, da vida, dos amigos, das meninas

Anos oitenta
Como dizia Raul
"Hey! Anos oitenta!
Charrete que perdeu o condutor
Melancolia e promessas de amor"

sábado, 24 de setembro de 2011

A dor de existir (8)

Escutei no rádio uma psicanalista falando sobre o suicídio do menino de dez anos com um tiro após tentar matar a professora.
Não sei ao certo as razões que levaram um humano tão jovem a cometer tamanha brutalidade contra o outro e contra si próprio.
Mas, o que quero colocar aqui, abrindo um espaço para além das criações, é que o ato deste garoto me fez refletir sobre para onde estamos caminhando. Não vem ao caso aqui elaborar um diagnóstico tardio do menino ou então que medidas devem ser tomadas com as demais crianças, com esta geração que está aí. Pelo menos para mim, ir por esse caminho é permanecer num campo de hipóteses e soluções educativas. Deixo isso para outros lugares.
Aqui, sem me estender muito, vi no ato deste menino o resumo de uma tragédia. De tão assustador, parece-me que este menino faz em ato como o mundo se apresenta para ele, ou seja, tão assustador quanto seu ato em si.
Em nossa cultura, por mais que esteja na televisão, nos desenhos, nos gibis o tempo todo falando de que se deve respeitar as diferenças, que se acabem com todos os preconceitos de cor, raça, credo, escolha sexual, social, etc... Há por debaixo, correndo pelos cantos escuros, ágeis e espertos como os ratos, uma destruidora massa de necessidade de sempre, eu disse SEMPRE, ser feliz, ser perfeito, ser bonito! E como impulsionador disso, o amor do próximo, quer seja dos pais, dos amigos, da professora. Uma alta exigência que define o que é Bom por conta da sociedade produz uma exclusão social de tudo aquilo que não é. Para a sociedade é Bom fazer esportes, por exemplo e isso é cantado como um hino de guerra. Então, como fica o menino que não gosta por conta de determinada dificuldade motora? Num ambiente infantil ele será o alvo certo para todas as projeções, todas as violências das demais crianças, pois, é aonde elas vão depositar em ato a pressão que vivem sendo objetos de uma ditadura da perfeição, da felicidade.
Isso que fez este menino, como disse, resume uma tragédia maior, que é a impossibilidade de uma sociedade inteira e global em lidar com as mazelas da vida, pois é só se aceitando limitado e parcial é que se pode aceitar o resto todo como tal. E o mundo caminha perdido numa utopia, em fotos de revistas, de facebook, negando aquilo que é inerente ao ser humano: a impossibilidade de SER plenamente satisfeito, feliz e em paz.

E eu que queria falar da chegada da PrimaVera!!!
Que venha a perfumada Vera, faça a vida se renovar, provoque surtos de renite, espalhe o pólen das flores por todo esse nosso ar poluído. Ah PrimaVera, traga de volta o canto do sabiá, às quatro da manhã acordando tanta gente que não consegue mais dormir. Venha Vera, prolongue os dias, aqueça as tardes e me deixe com mais vontade e culpa de fazer nada!! Saudades de você PrimaVera!

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Reflexo (7)

Daqui debaixo mesmo, da ralé, distante um pouco mais de um metro da terra crua, o Homem se vangloria de sua potência.
Não importa de forma alguma qual o seu feito, o Homem age como se fosse senhor absoluto deste mundo e muitas vezes, em outras línguas, do universo.
O Homem é brasileiro, mas, tem orgulho de ser descendente de europeus ou africanos. Mas, também "é o cara" orgulhoso do seu jeitinho, da sua malemolência tupiniquim.
O Homem é o todo poderoso em seu reino. Mesmo que seja de dez metros quadrados divididos com mais trinta iguais, sem sol, sem cama, sem ar. E nos pequenos poderes, sustenta-se em pé.
Um pouco mais de um metro do chão.
O Homem é forte, sábio e tem polegar opositor e encéfalo desenvolvido (para lembrar o clássico "Ilha das flores"). Um pouco mais de um metro do chão.



quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Oráculo (6)

Tudo, uma hora, trava
A mente trava
O computador trava
A coluna trava

O relógio trava
O cadeado trava
A porta quando sai, trava

Quando menos se espera, acaba
O filme francês, acaba
A água, no banho, acaba
O gás, a comida na panela, acaba

Quando menos se quer, cai
Os dentes caem
Os cabelos caem
O garfo cai
A ficha
Cai

A certeza de um fim
Quando amanhece o dia
Quando a madrugada chega
Quando a garrafa vazia
A taça cheia

Quando chega a hora
Do primeiro beijo
De pegar no sono
Amarrar o  tênis
Ir embora para sempre

Rodar a baiana chutar o pau da barraca vendo o circo pegar fogo
Enfim,
Uma hora DEStrava!!!





terça-feira, 20 de setembro de 2011

Curto e grosso de galho em galho (5)

Quando descobri que vim do macaco
Até que não foi de todo ruim
Afinal, vai tudo para o mesmo buraco
Cabeça, cabelo, pulmão e rim.