terça-feira, 18 de outubro de 2011

Centrismo (11)

Eu só faço o que gosto
Quando precisa
Sei que posso

Mas, mesmo assim
Só faço o que gosto

Se trabalho?
Não digo que sim
Muito menos que não

Se trabalho é sofrido
Quase escravo

Se trabalho é daquele jeito
Diz que faz porque deve
Tá feito

Eu só faço o que gosto
Se precisar
Tá bom, eu faço

Comer rúcula, alface
Pão integral
Espinafre
tudo que não faz mal

Se eu gosto?
É legal
Mas, bom não é

Bom é pururuca
Feijoada
Doce de leite
Mariscada

Boa é a cerveja
A caipirinha
A paella
A empadinha

Então, quando faço
Eu gosto

E quando não gosto
Fazer o que
Posso fazer

Mas, do jeito que gosto
No tempo que posso

Eu gosto.

domingo, 2 de outubro de 2011

Fissura (replay)

Publiquei e escrevi esta poesia em setembro de 2009. Estou colocando aqui de novo, chacoalhando o pó do passado para dar vida à minha loucura presente. A foto é só para dar uma cor.

Letras mancando no branco
Eu, que de pouca alegria
Busco a história vazia
O que da vida é só pó

Silêncio que faz o tempo
Deste que resta do dia
Na sombra da noite fria
Vazia, mesmo tão só

Na mesa o papel esqueço
Traço de minha agonia
De longe a morte vigia
Enquanto desato o nó

Manchas da tinta escura
Do nada, primeiro o risco
Ferida que busca a cura

Depois a palavra pura
Assim, com medo insisto
Vou gotejando loucura.