sábado, 7 de julho de 2012

Noite

O silêncio da madrugada é estilhaçado por um coração que bate forte em meu peito. Uma batida só. Tum!
Tão forte que escuto daqui de fora e sinto tremer meu corpo querendo dormir. A cabeça, esta ingrata e cheia de nós, esquece de tudo e fica aí, acordada, zumbizando pela casa. As gotas que caem no metal da calha ali fora marcam o compasso de um tempo paralisado. Eu sei, o tempo não me deixa em paz, mas, a cabeça, essa maldita, recusa o tempo e fica marcando as gotas como pedaços do céu.
O céu que de tão azul foi ficando roxo e o brilho e o grito do céu anunciam sua queda. Em suor de água, sem sal.
O que escuto no compasso das gotas... Raul Seixas!


  A 
E da janela desses quartos 
                  C 
De pensão eu com cobertor 
        D 
Transquilo eu tento 
              G    G7 
Uma transmutação... 
                 C 
Oh! Oh! Oh! Seu Moço! 
    D        Bm 
Do disco voador 
    Em         C 
Me leve com você 
      D        G   G7 
Pra onde você for 




Quero-quero que lá fora pia e voa revela que nem todo silêncio é de paz. Sorrateiro, de certo o gato gordo do vizinho anda pelo campo aberto dos ninhos, caçando como última tentativa de manter pateticamente um instinto já há muito tempo perdido.
A noite calada, sem voz nem nada.
Só as letras aqui, dançando, dançando, dançando. Noite adentro do silêncio.
Caralho...