quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Curto

A felicidade é um instante, um afeto, uma sensação. Acontece de vez em quando e só de vez em quando. Por isso que ela tem graça.

A felicidade nunca surge sozinha. Antes dela é preciso um trabalho, um cansaço, um susto, uma surpresa, uma fome, algumas palavras, uma verdade... Para ter felicidade támbem pode ser uma boa mentira.

Se for felicidade constante, não se engane, isso se chama tédio.

Felicidade não é riso. Esse é muito mais fácil. Tem riso amarelo, de lado, sem dentes, sincero, escandaloso, patético...
Quer coisa mais fácil que riso de político em campanha prometendo a sua felicidade?

domingo, 19 de agosto de 2012

Zé mané

O vazio é a pressão que empurra para fora de minha alma as letras confusas dentro de mim.
     Escrevo.

Tenho a esperança, todos os dias, todas as horas. Em todas as curvas, esquinas ou portas espero encontrar aquilo que nem sei ao certo, mas que me faça concluir que "agora sim!" Porque estou cansado de concluir que "agora não"!

Não espero mais do que sonhos e mistérios nas noites dormidas. Naquelas não dormidas, não espero nada mais do que o silêncio profundo da escuridão. 

     Para ver a escuridão, somente de olhos bem abertos.

O tempo é uma construção. Tenho cada vez mais certeza de que preciso jogar os relógios fora, pular deste trem desesperado que não tem a menor ideia de onde vai parar.
Espero que você aí também tenha esta vontade, porque se não percebeu, estamos na mesma. 
Eu sei, é preciso coragem. 
     Sair da roda viva, circulante e ininterrupta, de alguns padrões que foram empurrados goela abaixo sabe-se lá por quem. Por deus, talvez! Faz tempo então. Que deus?

De forma alguma procuro a anarquia ou o fim das ilusões. Quero apenas escrever, aqui, por enquanto. 
                       
                          As ilusões fazem bem, nos dão esperanças, vazias, mas, carregadas de sonhos, otimismos e para alguns, fé. Veja a anarquia. Uma ilusão absurda, mas, fundamental ao punk, ao artista, ao amante da liberdade.
                     Liberdade? Quando encontrei a liberdade, fiquei apavorado!

O que procuro? Nada. Simples assim. 
            Nada, como o vazio que empurra para fora de minha alma as letras confusas dentro de mim.
     Escrevo.




sábado, 4 de agosto de 2012

pau é pau


Pau é pau
Pedra
É
Pedra
No
Sá pato!

Uma no caminho não
Duas sim
Em mim
Uma em cada mão
Pau a pau

Pau
Quantos da canoa?
Que virou.

Pau
Obra
Toda
Pedra
Pedro
O Pedro tem o peito preto
O peito do pedro é preto

Pau é pau
Pedra
É pedra?

O pau encontrou a pedra
O pau quis pisar na pedra
O pau se quebrou no chão
A pedra era sabão.