terça-feira, 25 de junho de 2013

Maria sem vergonha

O amor não é flor fina e delicada. O amor não é coisa rara na vida. O amor não precisa ser colhido nos lugares mais inacessíveis. O amor dá como flor de mato, entre tijolo e concreto. O amor a gente pisa toda hora quando anda. O amor não se esconde, ele nasce em qualquer lugar, de todo jeito.
Já se disse tanto do amor, de toda forma e conceito.
Amor não é coisa rara. Está aí em todo lugar. 
O amor é difícil quando vira verbo. E quando assim se transforma, vira coisa de gente. E gente sabe do amor mas, não sabe amar. Pisa nele sem saber, olha sem enxergar, arranca de si para limpar. 
Tenho lá em casa num canto do jardim uma maria sem vergonha toda florida que tá louca pra virar verbo e fazer do amor a possibilidade de amar.

domingo, 23 de junho de 2013

DOR

Por quantas vezes se tem vontade de chorar
E não consegue
Chamam de nó aquilo preso na garganta
Mas, não desata

E fica aquela coisa dentro da gente
E qualquer coisa, a boca se inunda de um mar amargo
No peito, um vazio ecoa e bate um coração perdido
Mas, não se encontra

As mãos ficam escondidas, talvez nos bolsos
Os braços se cruzam
Não sabem mais a distância entre qualquer coisa
E os dedos são extremos de um mundo gelado
Mas, nada esquenta

Da janela dos olhos as cores se apagam
E um brilho estranho se mantém sem alegria
E quando piscam, demoram mais para abrir
Como se o escuro do pequeno tempo fosse tão calmo
Mas, nada ilumina

A terra sustenta os pés largados
Num mundo onde caminhos não tem sentido
E quando se vai por um lugar, não se chega
A lugar algum
Mas, não há para onde ir

E uma tristeza que vai se apossando de tudo
A alma esmagada num canto
Essa espaçosa melancolia
Deixa a mais querida visita
Como um estorvo de espinhos
Mas, a porta está trancada por fora

Por quantas vezes se chora escondido
Sem saber porque chora
E isso que transborda de dentro
E torce o corpo numa erupção de dor
Mas, não interessa

E quando se esvazia de dor
E a alma respira aliviada
Algo ainda é possível
A história continua
Mas, nunca mais como antes.





sábado, 22 de junho de 2013

Das ilusões

Nada muda minha musa.
Só o que é certo
é que na terra
todo mundo
um dia
a
  f
      u
         n
            d
               a
                .
....................

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Geração o que???

Alguém grita por aí
Foda-se!
Na contracultura
Isso é coisa de jovens
Ah... O frescor da juventude.
Por um tempo achei que os jovens estavam perdidos por não terem pelo que brigar, se rebelar. Mas, de repente não cabem mais nos dedos tantas razões para o grito!
Eu, que já não sou jovem, me sinto representado por esta voz que parecia perdida em vídeo games e cervejas e que agora grita por algo muito maior que vinte centavos. Particularmente, não sou muito de dizer isso, mas por alguma razão fiquei com uma vontade louca de dizer: FODA-SE!

Foto:
http://m.facebook.com/profile.php?id=249780145059261&_mn_=11

Eternamente em berço esplêndido?

"Pelo andar da carruagem, parece-me que as coisas não vão bem... Não é novidade alguma dizer que nem os eleitores, tão pouco os eleitos, assim como a justiça brasileira estavam preparados para isso que chamamos de DEMOCRACIA. E o que mais me assustou nos últimos dias foi ver que já há por aí alguns pensando seriamente e apoiando abertamente a intervenção militar nas direções deste país, como em alguns poucos anos atrás. O que está completamente esquecido por debaixo de uma pedra narcísica é que somos um país sul americano, com índices humanos catastróficos, com tradição de malandragem e repressão, alienação política e com uma justiça pobre de princípios e rica em recursos aos mais abastados. Não acham isso preocupante? Lembro de um colega contando sobre sua experiência nos guetos mais afastados de nossos olhares, onde pessoas miseráveis e doentes dizem que não têm nada a perder e que matar é um ato que não faz diferença. E elas estão aí, querendo sua fatia do bolo, e sim, com a cereja!"

segunda-feira, 27 de maio de 2013

A esperança e Antígona

Enquanto produzia este texto, deparei-me com um desabafo de um conhecido, não pessoalmente, nem na via pública, numa praça ou num aglomerado de pessoas, mas sim no facebook, uma via digamos assim, super pública. Suas palavras, escritas, compactuavam fortemente com Fernando Pessoa, em sua poesia, POEMA DA LINHA RETA, que num trecho diz assim:
"Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos,

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo?"

E passei um tempo lendo isso e não entendendo. Me debatendo para escrever isso aqui para vocês. As coisas não estavam fáceis. E foi então que, pelo mesmo facebook, que uma colega me pergunta sobre o dia e horário de minha apresentação em que lhe respondo e a partir daí outras pessoas entram na conversa, perguntando sobre o que falaria, etc, e que a mesma colega responde a um amigo dela, que eu represento a Associação Psicanalítica de Curitiba. Sim, de fato. Mas, o que já tinha escrito e o que estava em minha mente estava por escrever, evaporou-se. Parei na palavra REPRESENTA.
E de fato represento, faço parte desta instituição onde faço minha formação, onde encontrei colegas e parceiros de trabalho e principalmente, é onde me reconheço e sou reconhecido, sendo a APC o representante de um social, como Analista.
E de fato vacilei naquele instante e fui tomado por um dever, eu como representante, como significante, deveria cumprir um papel que mantivesse a cadeia na ordem em que está estabelecida por outros significantes, dos bons trabalhos, dos psicanalistas, das referências sociais que este lugar ocupa. Ou seja, me vi a serviço de um bem e aí, o desejo foi engolido por esta onda e tomei um caldo que estou até agora me recuperando, ainda tentando entender aonde é o céu e aonde é o fundo. Ou se dá na mesma nadar para cima ou para baixo.
De qualquer forma, nadar é preciso, pois o barco robusto dos ideais já está se afundando. E não adianta jogar água para fora dele, pois o que está fora é infinitamente maior.
E só me dei conta que deveria nadar e abandonar o barco quando percebi isso, que inevitavelmente eu represento e que também, da mesma forma não. Como diz Lacan, o desejo como metonímia do ser.
Represento como efeito deste desejo. Diferentemente do que se propõe no campo moral, em que a representação se coloca como um dever, no campo do desejo, a representação é efeito e causa de um desejo. Se represento algo, é de um desejo que se trata.
Pois, do que se trata isso? Se falo de ética da psicanálise, se falo de Antígona, só posso falar disso, só me autorizo neste ponto aqui. No que se refere a ética, só posso falar dela aqui por esta via, do desejo.
Afinal, é isso que fica de Antígona, seu desejo. O resto está morto.
A Ética da psicanálise está além de qualquer sentimento de obrigação ou coação social, não se trata de querer o bem ou o mal. É indiferente. Mas, também não se trata da barbárie ou de um sentimento anarquista que a psicanálise propõe. E sim, ética da psicanálise é uma ética da castração. Pois estamos advertidos de que não há nenhum bem. Sendo assim, é da verdade do desejo, particular a cada um que se trata. O efeito desta verdade é a preparação da ação moral, como diz Lacan. Nunca o inverso.
Pois bem. Voltando ao trecho do poema de Fernando Pessoa, ao que ele se questiona aonde estão os humanos neste mundo, sujeitos furados, castrados e divididos, considero uma pergunta completamente atual. Eu responderia a ele que estão escondidos, como sempre estiveram. Pois, nem um pouco diferente do que sempre foi o homem, desde que Adão comeu a maçã e teve a luz do discernimento entre o bem e o mau, a ordem moral, talvez muito mais intensa nos dias de hoje, convoca a todos num imperativo não do bem, mas sim, do goza! Ou melhor, dá na mesma, tanto faz. Kant ou Sade, tanto faz, disse Lacan.
Todos querem sua quota. E sabemos que, embora acredite que nenhum de nós estejamos lá, podemos saber pelos mais corajosos que lá estiveram, que uma massa miserável e sedenta pulsa e está prestes a explodir. É um direito moralmente estabelecido. E para garantir este direito, aos bens de gozo, as regras e leis sociais são completamente abandonadas e se não tem por bem, tem por mal. É isso que escuto de colegas que estão lá, na linha de frente, junto com menores infratores, com usuários de crack, que não estão alheios aos bens e sabem onde querem gozar. É assustador. Desejo? Aqui, estamos longe disso. O social prega e anseia por justiça, querem ver os ditos menores na cadeia, querem longe de suas calçadas e olhares os usuários de crack. Querem o bem deles, que sejam cuidados, tratados e presos mas também, que sejam mortos. É o melhor para eles. Eles tem suas razões, pois são estes os marginais que estão no centro do furo moral e social, um enorme buraco denunciando que não somos imagem e semelhança de Deus. Nós somos a evolução do macaco!
Vale uma observação de que Freud nos diz que Se a civilização impõe sacrifícios tão grandes, não apenas à sexualidade do homem, mas também à sua agressividade, podemos compreender melhor porque lhe é difícil ser feliz nessa civilização. (...) O homem civilizado trocou uma parcela de suas possibilidades de felicidade por uma parcela de segurança.” FREUD, Sigmund: O Mal-Estar na Civilização. Rio de Janeiro, Editora Imago, 1997
Me parece que o homem civilizado quer segurança, mas, sem abrir mão de toda a felicidade. Aí é que está o grande conflito.
Acho incrível nossa capacidade narcísica de crer que não somos outra coisa que não deuses. O Olimpo está lotado, precisando urgente de um metrô! Os humanos, herdeiros dos chipanzés, estão escondidos. E quando mais este real se apresenta enquanto nada, enquanto sujeito humano, mais forte vem a resposta de alguma coisa para aplacar a angústia desta limitação, de castração. E vem com violência.
E esta violência, sempre para afogar o desejo, é da ordem moral. É normal, mesmo com os intensos alertas de muitos, é normal o uso de medicamentos, para aplacar o mal estar, isso que é inerente ao humano. Em algumas escolas hoje em dia, os próprios professores brincam, falando muito sério, que poderiam colocar Ritalina direto no bebedouro das crianças e fluoxetina no dos professores. Pois é este o imperativo: sejam felizes, comportados mas, felizes. Produzam mais, não façam birra, pois isso já é doença, não chorem, pois isso também é doença. Esta é a ordem. E todos obedecem, ou melhor quase todos. Ainda bem. Ainda restam alguns humanos pendurados nas árvores.
Ainda sim, há humanos, ou sujeitos, seja como for, que ousam, se arriscam nesta empreitada da vida, assumindo sua verdade, seu desejo. Como disse Lacan, “É sempre por meio de um ultrapassamento do limite, benéfico, que o homem faz a experiência de seu desejo”.
Esta frase, que já me deu pano pra manga, é tão verdadeira em mim, pois para isso é preciso coragem. Sim, coragem em se lançar ao vento, de cima deste galho e sentir o chão da terra e fazer o que puder com isso que é dito como desejo.
Pois, é nesta terra nosso último lugar. Como é dito, é o ser para morte. Longe de supor um endeusamento do homem, como se para alcançar o desejo fosse necessário uma força superior, pelo contrário, é sabendo de que fim se trata, é sabendo de que há marcara simbólicas profundas que nos fazem ser o que somos, que podemos acessar o desejo, particular, a verdade de cada um.
Assim, acessando esta verdade, cai por terra o Olimpo. Não há deuses na terra. Esta é a trapaça da ciência, senhora poderosa, dona dos objetos, de nos fazer crer nisso.

Mas, aqui vai a esperança. Palavra sempre bonita, acolhedora. Esperança. Só para constar aqui, que mesmo sabendo que além do céu não há nada, ainda sim, e talvez somente assim, é que podemos contemplar as estrelas.

(Texto escrito para "X Jornadas de Direito e Psicanálise - UFPR" de maio de 2013, cujo tema era Antígona).

terça-feira, 7 de maio de 2013

Previsão de um tempo

E da janela que vejo o mundo. E o mundo de tão grande, por pouco não vou me embora com ele. Minhas pernas ainda são pequenas para um mundo tão grande. Mas, elas crescem e um dia a janela será porta e aí...
Imagem protegida

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Kafka e a redução da maioridade penal

E no jornal de hoje diz que foi aprovada a redução da maioridade penal para zero!
Depois de muito debate e um plebiscito que não deixou dúvidas, nosso presidente sancionou a lei que dá plenos poderes ao sistema jurídico de julgar e condenar qualquer brasileiro acima de zero anos.
Assim, na mesma onda também ficou decidido que o estado irá assumir todos os bebês que nascerem a partir de hoje. Caberá aos pais apenas os cuidados orgânicos e funcionais do bebê e ao estado toda a educação de seus cidadãos. Também ficou afirmado com isso que um pai ou mãe tomado em flagrante dando um olhar, uma atenção, um sorriso, um não ou qualquer outra forma de afeto, será denunciado por exercício ilegal da paternidade ou maternidade e se condenado poderá pegar até vinte anos de prisão, sendo a pena estabelecida como suficiente para eliminar qualquer desejo, saudade ou lembrança de seu filho. Assim como também é considerado suficiente para que o estado retire todas as influências sofridas pelo trauma que o contato com seus pais biológicos produziu.
O estado então garante que não haverá mais criminosos nas ruas.
Porém, se um bebê acordar no meio da noite ou querer qualquer outra coisa que não seja dormir, mamar ou que lhe troque a fralda será levado a um comitê de avaliação para prestar depoimento e assim verificar se de fato se trata de uma infração ou um exagero dos pais biológicos.
Mas, especialistas afirmam que esta parceria público privado está com os dias contados. Muito em breve, afirmam eles, um moderno sistema de cuidados será implantado no país e os bebês sairão direto da maternidade para grandes encubadoras, onde máquinas farão os cuidados orgânicos e uma equipe de médicos, pedagogos e psicólogos farão o trabalho de transformar os bebês em exemplares cidadãos. Também afirmam que com esta medida, em aproximadamente vinte anos, não haverá um crime sequer em todo o país.
Imagem da WEB

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Pena.

Fechando os olhos é que se abrem as cortinas da escuridão.
E ali dentro, tateando os cantos do nada, encontro uma pena caída.
De pena da pena que perdeu seu voo, ponho-a atrás da orelha, como se põe caneta, como se põe cigarro, bem ali onde a boca revela um segredo.
Sendo eu a escuridão, mergulho pela janela e caio, sem vôo, com pena, caneta, cigarro e segredo.
Fechando as cortinas, abro os olhos.
Que pena.
 Imagem da WEB

terça-feira, 16 de abril de 2013

Cidade cansada

A cidade corre de louca
Feito louca, que louca é
Cidade mais louca, tão louca
Louca de tão louca é

Cidade que tudo estranha
Estranha, que cidade é
Vesga cidade estranha
Estranha de tão louca é

Cidade louca estranha
Estranha a vida que é
Louca até que se estranha
Vida louca estranha é

Cidade apanha de louca
Apanha o sol da montanha
Louca cidade que canta
Música estranha é Tom Zé

Cidade que dança de louca
A música estranha do Zé
Que não encontrou o Tom
Cidade perdendo a fé

Normal da cidade é louca
Louca de marré deci
Senhora que dorme de touca
Silêncio é seu grito em mim.



segunda-feira, 1 de abril de 2013

domingo, 31 de março de 2013

Pálpebras

Enquanto a luz faz pouco caso da noite
E insiste em não surgir
Uma vela faz suplência e engana o vazio opaco, trazendo sombras e silêncios profundos.

Se os olhos se fecham
A luz se esconde neles em sonhos e devaneios.

Pálpebra são fronteiras
Portões que cerram o corpo para escuridão.

Nas noites, quem não dorme
Esbugalha os olhos tentando ver alguma luz
Desafiando o insistente medo do toque, da voz, do tropeço.

Para além da fronteira
Só encontra vazios com enormes buracos e pequenos cacos de nada
Espalhados por todo lado.

sábado, 30 de março de 2013

Acorda!


É que não tem tempo não!
Já é tarde demais.
Corre, te apressa!

A vida te espera
Ali, sentada na tua esquina
Te decide
Sem medo,  vai logo!

Está tudo bem ainda 
Mas, vai que a vida desiste?
E te deixa perdido no caminho

Vai que ignora o tempo
E ele te passa depressa
Dentro de ti
E carrega tua vida

Te apressa rapaz!
Vê lá se ela ainda respira
Tua vida.

Esqueceu?
Sim, é tua.
Não faz isso não.
Sai dessa toca e vem ver

Aqui fora no mundo
A vida te espera
E vai agora!

Não precisa trocar de roupa
Vai a pé
Não ensaie, não pense
Vai lá aonde ela está!

É que não tem tempo não!







quarta-feira, 20 de março de 2013

Sete e Oito

Enquanto que a gota cai
Uma gota besta qualquer
Sabe-se lá de onde sai
Que cai aonde deus quiser.

Estranho é essa gota cair
Gota chamada de pingo
Que vem certo em mim explodir
Num silêncio de domingo

Acerta com força na testa
Respingo que vira susto
Interrompendo minha sesta

Tantos de preto em luto
Correndo para todo lado
Tá vivo! Só que eu escuto

A gota viveu o defunto




segunda-feira, 4 de março de 2013

Vida que brilha

E quando percebi, você já cresceu. Um pouco sim, mas o suficiente para largar a minha mão e ir sorrindo para junto dos seus. E ouvir outras histórias e falar da sua pequena vida de bonecas, de princesas, de lobo mau e de seu skate rosa.
Eu, que tentando ainda me fazer presente, te digo tchau, te chamo de flor. E você mais linda do que nunca, se vira e com um sorriso doce acena de longe. Minha deixa, vou embora para não atrapalhar sua pequena vida que só está começando.
Caramba!

sexta-feira, 1 de março de 2013

Sublimação

Quando acordo azedo feito limão
Faço de mim uma limonada
E, sem açúcar, me dou aos melhores amigos
Espalhando caretas
E recebendo sorrisos tortos
Entre resmungos que dizem: filho da puta!

Têm Fome de quê ?

Não escrevo por gosto não.
Se tanto parece triste, tem medo?
Se tudo isso parece pesado, não tenha preocupação.  As minhas palavras eu carrego sozinho.
Se assim parece pouco suave, é que eu prefiro o tombo que a monotonia do passo.

Pois se escrevo, não tem nada de gosto não. É pura necessidade.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Um tempo para sonhar

Correndo antes que o mundo, o dia, a hora acabe.
Dizem que se perde muito tempo nessa vida.
Dizem... que a vida foi esquecida, que já não é mais como em outros dias.
É que escondido dentro do tempo tem um gigante que devora almas de pobres coitados que esqueceram como se faz para sonhar.
Sonhar faz o gigante do tempo parar.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Líquidos

É que dentro do peito tem um mar e quando a dor cai dentro dele transborda água pelos olhos. E arde.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Saudade

Saudade é palavra bonita.
Diz de amor
De falta e de dor
Talvez até de alegria.

É sentimento nobre.
Sem fronteiras, sem idade
É toda a riqueza do pobre

Saudade.

Quem já se foi
Um amor que partiu
O cão que não mais latiu
Acabou-se, foi.

Saudade.

Tarde demais para dizer
Cedo então o tempo diz
Silêncio pelo que fiz
Não foi hora de perder

Saudade.

O tempo que não volta mais
A foto que não tem cheiro
O dia que foi-se inteiro
A vida corrida demais

Resto da velha saudade
Quando secar todo rio
Virar um buraco vazio
Antiga cumplicidade.





sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Enquanto isso...

A vida não para aqui na terra mais alta longe do mar. Ela grita, chora, respira. A vida é intensa, se duplica, triplica, condensa. Por aqui, onde não tem ondas, nem areia, nem sal abafando o ar, a vida canta sem parar seu sonho de crescer.
O tempo, que é amigo do fim, estende sua longa mão acenando que a história não acabou, que há folhas em branco. pena e tinta. O tempo ainda não encontrou o fim.  As noites são longas e os dias claros. A vida se segue, se fere, se debruça nos sonhos e sem dó acorda o mundo num grito.
E as meninas da minha vida crescem, cada vez mais sem mim.
Me resta o retorno em mim, o que foi antes e será depois, minha vida em si. 
Enquanto isso, enquanto tem tempo, minhas meninas estão aí e eu por aqui, vivendo, empurrando a mão do tempo para a sombra da história.