segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Leão

- Dose pra leão esse fim de ano!
- Leão leão leão, és o rei da criação
- Difícil ser rei nessas horas... criar então... é coisa de bicho menor.
- Criar é coisa de bicho menor?
- Criar é coisa pra bicho que não é rei... criar é pra quem pode não pra quem nasce com destino de rei!

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Desencontro

O tempo constante
O dia trocado
A hora errada

Um relógio parado
Um gosto egoísta

A música 
A comida distante
A bebida marcante

A palavra que surge
Na hora errada
Não ouvida da forma exata

Escrita ilegível
Do silêncio que afasta
Que acaba

Do assombro da morte
Desencontro
Da pouca sorte

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Corações empíricos

Quando ouvi que no coração alguém pode estar e nunca mais sair, pensei e todos pensam assim, que são palavras românticas, dizem de um afeto, daquelas coisas de amor, paixão.
E desenham corações flechados ou com dois nomes dentro deles. Mandam pequenos recados, declarações.
Por conta de alguém estar morando num coração,  o seu dono ou dona passa o dia suspirando, inventando, copiando poemas, falando de amor. Talvez se veja meio bobo ou boba, talvez seja isso a solução da sua vida.
Alguns escondem, outros revelam e outros ainda deixam escapar, sem querer, que habitam ou hospedam alguém.
É assim quando alguém diz que tem outro alguém em seu coração.
Mas, de tão importante que é o coração,  fica também brilhante demais, ofuscando os demais órgãos,  como se fossem secundários.  Ninguém fala que seu amor mora no fígado, ou nos pulmões ou rins ou pâncreas. Muito menos no cérebro. Seria técnico demais.
Vai ver que é porque o coração se escuta daqui de fora. Vai ver que é porque ele pulsa, bate, tem ritmo. O coração é muito interessante.  Bonito.
Mas, para falar do coração,  antes é preciso  saber da alma. É ela quem dita o ritmo da vida.  É a alma, silenciosa, sem desenho, que está dentro e fora, que faz os olhos brilharem, o coração bater forte.  A alma não se costura, não se controla, somos nós que tropeçamos nela, por ela nos encontramos e nos perdemos.
Dizem que ela é eterna para os religiosos, mas, não é dessa alma que falo.
Para mim a alma é a vida, uma metáfora das chances de fazer uma história que valha a pena, entre elas, quem sabe, essas que falam de amor.
Melhor do que morar num coração é ter um coração que sustente o tranco da vida,  o tranco do encontro com alguém.
Eu prefiro que o desejo se apresente e não se cale no fundo do peito. Que a história seja viva e não olhando pela janela.
Morar no coração pode ser bonito, romântico. 
Mas, eu prefiro viver o amor aqui fora, no mundo.
Eu não sirvo para morar num coração.  Sou inquieto e aqui fora é onde escuto os mundos e vivo as histórias,  de amor, desejo, lutas...
E também,  o amor não requer moradia.
Para o amor só bastam a vida e a coragem de amar.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Um breve nada.

Nada de novo no front do cotidiano. A vida por aqui anda na mesma, dos mesmos homens matando uns aos outros por motivos banais.
Mulheres grávidas esperando. Esperando...
Nessa trincheira suja,  fedendo a dor dos corpos cansados, caminham crianças alheias à toda tragédia.  Só querem boas palavras que lhes tirem dali como escadas coloridas.
Nada de novo no front.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Woody Allen e a invenção do homem.

Eis que entramos no elevador, daqueles em que as portas se abrem para os dois lados. Nem a porta se fecha eu já digo: dá a chave para mim!
Ela, na sua calma indignada, me pergunta: por que?
Eu, na minha certeza indestrutível e manca,  digo: porque vou sair antes, sou mais rápido!
Ela, sem me entregar a chave, diz: sair antes?
Nisso, eu já me viro para porta, de costas para ela, dizendo: claro! Você é mais devagar, tá aí,  cheia de coisas...
Como se quisesse afirmar, eu sou melhor, eu vou na frente, eu sou homem, etc...
O elevador para. E eu já pronto para praticamente sair correndo e sustentar minha certeza quando as portas do lado dela se abrem e quando percebo, falo sozinho, implodindo a concretude dos meus conceitos antiquados, morais e machistas.
Vejo ela rindo já no corredor andando calmamente...
E eu, que acabei saindo por último, me vi saindo pela mesma porta que ela, pensando: que golpe de sorte ela teve!
Saiu ela, as crianças  e eu... Protegendo a retaguarda!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Foi-se vindo!

Vai passar a euforia
Talvez fique tristeza
Quem sabe alguma magia
Ainda assim vejo beleza

Vai embora o desprezo
Tristeza grande vira pouca
Que seja um novo começo
De vida, um tantinho mais louca

Coisas novas sempre surgem
Trabalho, pessoas, afetos
Coisas velhas, que fiquem
Na última gaveta, dos cacarecos!

Tenho em mim algo que presta
Nessa hora de mudar
De aparar a última aresta

Da coragem de cantar
A música preferida
Seguir em frente... caminhar!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

terça-feira, 14 de outubro de 2014

A Letra

"nos perderemos entre monstros da nossa própria criação"
Sem fio, nem pedra, nem pão.
Me disseram no rádio que a saída é ir sempre em frente. Pegadas são marcas que ficam para trás. Apenas pegadas. 
Aonde se põe o pé é que interessa no próximo passo.
Apesar de já ter ido e voltado tantas vezes, só para confirmar que lá já estive, em caminhos tão seguros, conhecidos. E por um bom tempo, sei que estava ali com meus monstros e minhas nostálgicas pegadas familiares.

"Mistério sempre há de pintar por aí".
Ali, aonde o chão é novo.
Do inevitável encontro.
Querido e temeroso. 
O que será que tem ali?

Desejo?
Necessidade?
Ou vontade?

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Pelo dia dos pais!

Meu texto para a coluna do Roteiro Baby Curitiba. Veja lá!

"...Um pai é outra coisa!
Um pai já nasce perdido. O homem que se torna pai perde. Perde, além de um lugar, a ilusão..."

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domingo, 27 de julho de 2014

Passando....

E quando a gente se vê.
E vê que passamos por tantas.
Passamos...
E a gente vai caminhando.
E se marcando.
Marcamos...
É que não tem outro jeito.
Do que sente cada um.
Que vá se virando.
Amamos...

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Reverberação

Eu já morri. Uma, duas, três...
Eu quase morri. Quatro, cinco, seis...
E todas as vezes eu nasci. Renasci.
Para quem morre só tem uma saída,  ou melhor, não tem saída.
Pois nascer exige uma força de sabe-se lá de onde surge. Coisa que ninguém lembra.
Renascer já é outra coisa. A gente lembra bem.
Não é de hora para outra. É devagar.
Bem devagar.
Começa no fim do susto,  depois que a morte, satisfeita,  vai embora.
Olha ao redor.
Sente-se perdido,  bem mais do que quando estava assustado.
Na hora da morte sabe-se bem onde está.
Ao redor se vê,  se fala.  Toma todas as medidas para limpar a bagunça que a festa da morte deixou. Pode até parecer organizado,  objetivo.
Mas, está completamente perdido, agarrado no último fio da vida com algum resto de memória de como se faz quando tudo já acabou.
Por dentro, enquanto fora varre os cacos das janelas esperançosas,  é um vazio, oco de tudo, fazendo eco: e agora? E agora?  E agora?...
Renascer é devagar. Bem devagar.
Quanto mais trabalho resta, melhor. Ninguém quer saber do vazio. Mas, uma hora, o trabalho acaba. Aí que,de fato, há o que se fazer.
Pois, se suturam a pele por fora, por dentro, há que se abrir a alma.
Gente que renasce nunca mais volta. Algo fica para trás e não adianta tentar buscar. Aí está o oco, o oco da historia.
Uns se compensam, recompensam, põem em Deus a causa e o efeito. Agradecem a chance de seguir.
Outros, esquecem das crenças,  se agarram onde podem, parecem loucos atrás do que foi perdido.
Há os que choram, lamentam.
É que dói saber que perdeu, se perdeu. 
Demora.
Vai tempo para se encontrar.
Quem sabe quanto tempo leva não sabe que nascer e morrer são coisas fora do tempo.
Nunca mais,  depois da última vez que morri, achei em mim o falecido.
Demorei tanto para perceber que, enquanto tentava encontrá-lo, só ouvia o eco luminoso de um desconhecido de mim, o único vivo, que reverberava minhas próprias palavras: e agora? E agora? E agora?...
Foi devagar. Bem devagar.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

na marca do pênalti!

Na vida não é de quatro em quatro anos.
Na vida é todo dia.
É sempre decisivo.
Jogo de viver intenso, disputado.
Vamos vencer?
Somos favoritos?
Caramba!
Como eu gosto dessa vida!

sábado, 5 de julho de 2014

Crônica do pessimismo cotidiano

Sempre cumprimentei quem quer fosse. Mãos ásperas ou finas, nunca me importei.
Agora mesmo, parado aqui na rua, veio um magrão me oferecer seu trabalho, sua arte. Me cumprimentou, falando para eu ajudá-lo, disse que não tinha dinheiro.
Perguntou se minha água era com gás.
Sim, eu disse.
Posso tomar?
Pega aí,  eu já tomei. Eu dei.
Quanto vai ser contra Alemanha? Me perguntou depois do primeiro gole.
Ah, se ganhar, vai ser um a zero e olhe lá.  Se não for para os pênaltis...
Vai ser quatro a zero! Ele me disse com um sorriso largo e entusiasmado.
Será?  Vai ser difícil...
De pronto me respondeu: vai ser quatro a zero. Sabe por que? Porque nós somos brasileiros, não é? Eu tenho que acreditar, completou.
De novo me esticou a mão.
E lá foi ele, meio que andando, meio que dançando,  com minha água e meu pessimismo.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

A escolha dos corajosos

Meu texto para a coluna do Roteiro Baby. Veja lá!
"...E é isso que me interessa, isso que pulsa nas histórias vividas e ditas dos grandes e dos pequenos, nas artes dos homens, nas escolhas dos corajosos. E se assim se dá, se aos poucos vamos perdendo as ilusões, vamos cada vez mais aceitando e nos agarrando na vida. Como um parafuso que vai com o tempo enferrujando na madeira dura e só sai de lá quebrando..."

terça-feira, 1 de julho de 2014

Ponto cego

Mas, vamos ao que interessa...

Solidão é como o extremo da liberdade.
É como ser um pássaro sem revoada.
Solidão faz da gente um pouco menos.

Não é coisa que se aprende na marca do giz.
Simplesmente sente, com palavras que nunca, nunca fazem outra coisa senão iludir o solitário num eco que não escuta.

De todas as verdades, talvez a solidão seja a mais doída.

sábado, 8 de março de 2014

Dia 08 de março

Declarar ao mundo a paixão por uma mulher diria que é até coisa simples. Tem vários jeitos, dos piores aos mais encantados. Mas, para dizer deste dia, como se sabe, a mulher é uma construção subjetiva, nunca é dada assim, de maneira fácil.  Já o homem, quantos podem no mundo ocupar este lugar, longe de ser menino?
Neste dia, digo para minha mulher o quanto ela me deixa intrigado, quantos enigmas ela me convoca a descobrir. E vou em frente pois, quero saber tudo dela, quero seguir com ela...
Neste dia, que também vale dizer, minha mulher que admiro, que escolhi e fui escolhido nesta história,  que ela deixa tão bonita, tão emocionante, que me ajudou a ser homem, me apontando muitas vezes, o caminho deste lugar.
Me deu filhas, lindas... que me fizeram pai.
Me mostrou que amor não é uma magia infantil dos contos de fadas mas, exige sempre dedicação...
Só uma mulher é capaz de fazer tudo isso, simplesmente sendo mulher...
Parabéns por esse dia Suzy.

terça-feira, 4 de março de 2014

Ontem fugimos e acabamos no cinema... no caminho tocava um Cd do Chico.
O filme: "Ela".
Duas horas de um romance estranho, sofrido e delicado. Muito bom. Ao sairmos, em meio ao silêncio,  meio abalados (como a arte deve deixar) entramos no carro e... "Joga o paio, carne seca,
Toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão..." Desliguei rápido o som e caimos na risada misturados pelo impacto do filme e o destino de uma alegria que se atravessou no caminho.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Coluna Roteiro Baby Curitiba 14 fev. 2014

"... Que seja pela metade e que nesta metade já tenha em si o resto da metade anterior e me movimente nesta roda viva do desejo, do trabalho e do amor. Quero sentir saudades, quero que me falte o tempo que passou e que não seja mesmo possível retornar, que seja uma saudade assim, como daquele senhor, cheia de sorrisos..."
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