domingo, 27 de julho de 2014

Passando....

E quando a gente se vê.
E vê que passamos por tantas.
Passamos...
E a gente vai caminhando.
E se marcando.
Marcamos...
É que não tem outro jeito.
Do que sente cada um.
Que vá se virando.
Amamos...

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Reverberação

Eu já morri. Uma, duas, três...
Eu quase morri. Quatro, cinco, seis...
E todas as vezes eu nasci. Renasci.
Para quem morre só tem uma saída,  ou melhor, não tem saída.
Pois nascer exige uma força de sabe-se lá de onde surge. Coisa que ninguém lembra.
Renascer já é outra coisa. A gente lembra bem.
Não é de hora para outra. É devagar.
Bem devagar.
Começa no fim do susto,  depois que a morte, satisfeita,  vai embora.
Olha ao redor.
Sente-se perdido,  bem mais do que quando estava assustado.
Na hora da morte sabe-se bem onde está.
Ao redor se vê,  se fala.  Toma todas as medidas para limpar a bagunça que a festa da morte deixou. Pode até parecer organizado,  objetivo.
Mas, está completamente perdido, agarrado no último fio da vida com algum resto de memória de como se faz quando tudo já acabou.
Por dentro, enquanto fora varre os cacos das janelas esperançosas,  é um vazio, oco de tudo, fazendo eco: e agora? E agora?  E agora?...
Renascer é devagar. Bem devagar.
Quanto mais trabalho resta, melhor. Ninguém quer saber do vazio. Mas, uma hora, o trabalho acaba. Aí que,de fato, há o que se fazer.
Pois, se suturam a pele por fora, por dentro, há que se abrir a alma.
Gente que renasce nunca mais volta. Algo fica para trás e não adianta tentar buscar. Aí está o oco, o oco da historia.
Uns se compensam, recompensam, põem em Deus a causa e o efeito. Agradecem a chance de seguir.
Outros, esquecem das crenças,  se agarram onde podem, parecem loucos atrás do que foi perdido.
Há os que choram, lamentam.
É que dói saber que perdeu, se perdeu. 
Demora.
Vai tempo para se encontrar.
Quem sabe quanto tempo leva não sabe que nascer e morrer são coisas fora do tempo.
Nunca mais,  depois da última vez que morri, achei em mim o falecido.
Demorei tanto para perceber que, enquanto tentava encontrá-lo, só ouvia o eco luminoso de um desconhecido de mim, o único vivo, que reverberava minhas próprias palavras: e agora? E agora? E agora?...
Foi devagar. Bem devagar.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

na marca do pênalti!

A vida não é de quatro em quatro anos
Na vida é todo dia
É sempre decisivo
Jogo de viver intenso, disputado
Acertar ou errar
Não há retorno após o chute

sábado, 5 de julho de 2014

Crônica do pessimismo cotidiano

Sempre cumprimentei quem quer fosse. Mãos ásperas ou finas, nunca me importei.
Agora mesmo, parado aqui na rua, veio um magrão me oferecer seu trabalho, sua arte. Me cumprimentou, falando para eu ajudá-lo, disse que não tinha dinheiro.
Perguntou se minha água era com gás.
Sim, eu disse.
Posso tomar?
Pega aí,  eu já tomei. Eu dei.
Quanto vai ser contra Alemanha? Me perguntou depois do primeiro gole.
Ah, se ganhar, vai ser um a zero e olhe lá.  Se não for para os pênaltis...
Vai ser quatro a zero! Ele me disse com um sorriso largo e entusiasmado.
Será?  Vai ser difícil...
De pronto me respondeu: vai ser quatro a zero. Sabe por que? Porque nós somos brasileiros, não é? Eu tenho que acreditar, completou.
De novo me esticou a mão.
E lá foi ele, meio que andando, meio que dançando,  com minha água e meu pessimismo.

sexta-feira, 4 de julho de 2014

A escolha dos corajosos

Meu texto para a coluna do Roteiro Baby. Veja lá!
"...E é isso que me interessa, isso que pulsa nas histórias vividas e ditas dos grandes e dos pequenos, nas artes dos homens, nas escolhas dos corajosos. E se assim se dá, se aos poucos vamos perdendo as ilusões, vamos cada vez mais aceitando e nos agarrando na vida. Como um parafuso que vai com o tempo enferrujando na madeira dura e só sai de lá quebrando..."

terça-feira, 1 de julho de 2014

Ponto cego

Mas, vamos ao que interessa...

Solidão é como o extremo da liberdade.
É como ser um pássaro sem revoada.
Solidão faz da gente um pouco menos.

Não é coisa que se aprende na marca do giz.
Simplesmente sente, com palavras que nunca, nunca fazem outra coisa senão iludir o solitário num eco que não escuta.

De todas as verdades, talvez a solidão seja a mais doída.