sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Um breve nada.

Nada de novo no front do cotidiano. A vida por aqui anda na mesma, dos mesmos homens matando uns aos outros por motivos banais.
Mulheres grávidas esperando. Esperando...
Nessa trincheira suja,  fedendo a dor dos corpos cansados, caminham crianças alheias à toda tragédia.  Só querem boas palavras que lhes tirem dali como escadas coloridas.
Nada de novo no front.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Woody Allen e a invenção do homem.

Eis que entramos no elevador, daqueles em que as portas se abrem para os dois lados. Nem a porta se fecha eu já digo: dá a chave para mim!
Ela, na sua calma indignada, me pergunta: por que?
Eu, na minha certeza indestrutível e manca,  digo: porque vou sair antes, sou mais rápido!
Ela, sem me entregar a chave, diz: sair antes?
Nisso, eu já me viro para porta, de costas para ela, dizendo: claro! Você é mais devagar, tá aí,  cheia de coisas...
Como se quisesse afirmar, eu sou melhor, eu vou na frente, eu sou homem, etc...
O elevador para. E eu já pronto para praticamente sair correndo e sustentar minha certeza quando as portas do lado dela se abrem e quando percebo, falo sozinho, implodindo a concretude dos meus conceitos antiquados, morais e machistas.
Vejo ela rindo já no corredor andando calmamente...
E eu, que acabei saindo por último, me vi saindo pela mesma porta que ela, pensando: que golpe de sorte ela teve!
Saiu ela, as crianças  e eu... Protegendo a retaguarda!

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Foi-se vindo!

Vai passar a euforia
Talvez fique tristeza
Quem sabe alguma magia
Ainda assim vejo beleza

Vai embora o desprezo
Tristeza grande vira pouca
Que seja um novo começo
De vida, um tantinho mais louca

Coisas novas sempre surgem
Trabalho, pessoas, afetos
Coisas velhas, que fiquem
Na última gaveta, dos cacarecos!

Tenho em mim algo que presta
Nessa hora de mudar
De aparar a última aresta

Da coragem de cantar
A música preferida
Seguir em frente... caminhar!