sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Eu bem que avisei!

Hoje matei uma aranha!
Era marrom.
Mas, mesmo sendo marrom, pobre aranha...
Mesmo sendo um inseto, insignificante, acabou tudo para ela. Espero que tenha sido rápido e com pouca dor.
Juro! Eu penso e pior... eu sofro!

Quando vejo uma formiga na pia, dentro de uma tigela com água,  retiro ela com cuidado e lhe dou uma segunda chance.

Pela manhã encontro os besouros no chão, atrapalhados que são,  se perdem quando caem de barriga para cima. Lhes dou meu dedo e como náufragos que agarram as cordas que lhes salvam, o besouro gruda. Parece que vejo ele respirando aliviado. Coloco na terra e rapidamente vai se enfiando e se esconde para dormir depois da noite mal vivida.

Por vezes entra pela janela do quarto um vagalume. E sem saber que nem sempre o céu é infinito, fica a bater e bater no teto e nas paredes. A cada batida digo a ele numa torcida em silêncio, é por ali! É por ali! Não!  Outro lado! Até que encontra a saída.... Aeeeeee! Voa longe piscando e comemorando comigo!
Aceno e aviso, aqui o céu é finito.

Tento ser político com as lagartas que comem a laranjeira. Tiro elas, jogo longe e já dou um toque, só voltem aqui borboletas!

Não consigo matar.
Aqui em casa, todos sabem. Não pode matar. Eu não deixo.

Mas, a aranha, coitada. Deu azar no seu destino de ser aranha, de ser marrom e se enfiar onde não podia.
Confesso que já salvei algumas. Jogo longe, do outro lado do muro.
Mas, aquela eu matei. Eu bem que avisei...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

perdi a mão

Perdi a mão
Empresta a tua
Me ajuda?

Ando tremendo
Amasso o papel
Talvez tenha medo

Perdi a mão
A minha
Canhota sem jeito

A tinta borrada
A letra apagando
Sinto suada

Volto ainda à ativa
Com versos pequenos
Já sem rima

Volto ainda num sonho
Ter as manhas do ofício

De não ser tão ingênuo

Ter mão boa, ser poeta
Abrir mão do sacrifício.