quinta-feira, 28 de julho de 2016

Ensaio final.

E o palco ruiu, podre, por falta de vergonha.

O palhaço, inconformado com o fim da palhaçada, pôs-se a rir escandalosamente com lágrimas que vertiam derrubando junto as tintas de seu rosto.
O protagonista pedia ajuda para sair do buraco, justamente por estar no centro do palco decadente.
A donzela, que era a verdadeira protagonista, chorava em estado de pânico e ninguém sabia se ela já tinha saído da personagem.
O diretor, que tudo viu, em pé aplaudia enlouquecidamente gritando palavras numa língua desconhecida, enquanto o patrocinador, dono de uma marca de bolachas, permanecia sentado e catatônico, dando sinal de vida apenas por uma respiração silenciosa.
E por fim, o operador de som e luz, lá de cima, aperta o botão que fecha as cortinas, apaga as luzes do palco e acende da platéia, vazia.
Enquanto a poeira abaixa, devagar, os loucos vão desaparecendo.
Ensaio final e sem estréia.
Fim.

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