segunda-feira, 17 de julho de 2017

Sete minutos

Que caia!
Disfarçadamente vi o intervalo entre o fim da esperança e o fato consumado. Não há tempo para que a palavra última ocupe esse lugar de ponto final.
Que caia de uma vez e se exploda tudo. Não deixe lembranças, restos de roupas, objetos. Que tudo que carrego derreta e volte de onde veio.
Foi o que imaginei no trepidar, oscilar e bagunçar toda aquela gente que apelava, discretamente, para rezas e mandingas.
São todos uns desgraçados, como eu, que entrei aqui nesse avião, no meio de uma forte chuva e com minhas próprias pernas. 
Ainda tive o cinismo de sorrir ao comandante que na porta da aeronave cumprimentava faceiro a todos que entravam.
Isso é um fato. Sempre que entro num avião tenho vontade de perguntar: vocês estão certos disso?
Posso pedir a opção "para-quedas" ao invés do biscoito doce ou salgado?
Mas, depois da decolagem e de todos esses meus pensamentos, subimos, ultrapassamos as nuvens, a chuva e os raios no melhor estilo Indiana Jones.
Então, foi possível ver as estrelas, tomar uma água e comer um biscoito salgado e crocante como se não fosse nada, o trivial de um vôo cotidiano.
Eu, que só tenho palavras e escutas, na pressa de chegar, lembro que não tenho asas que me façam voar e principalmente, pousar.

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